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SUMMARY The purpose of this study
was to find out the relationship between setting zone
and tempo of the attack with
the attack zones of the opposite player. Seven games of the
2004 Olympics Games (female,
senior teams) were analyzed, which corresponds to 437
attack actions. The
independent variable was the attack zones of the opposite player
(attack on the first line,
zone 2, and second line, zone 1) and the dependents variables
were setting zone and
attacking tempo. In order to test the association between
variables, descriptive and
inferential statistics were used namely the Chi-Square and
Monte Carlo test. For all
the variables, the agreements percentage was above 80%.
The present study showed
that the more solicited setting zone was the ideal
zone, 2/3, (77,5%) and the
more frequent attacking tempo was the second (70%). We
also, verified that
attacking on zone 2, occurs mainly from passes in the ideal setting
zone (2/3), 82,2%.
Concerning the attacking tempo the first tempo occurred less than
expected on the zone 1 and
more than expected on the zone 2; contrarily the third tempo
occurred more than expected
on the zone 1 and less than expected on the zone 2. These
results suggest that the
zone of attack distinguishes the features of attack of the opposite
player and the training
processes should consider these differences to increment the
player performance.
Key Words: Game
Analysis, Volleyball, Setting
2
Relationship between
the setting zone and opposite player on the offensive
game
Study applied in top
level female volleyball
SUMMARY
The purpose of this study
was to find out the relationship between setting zone
and tempo of the attack with
the attack zones of the opposite player. Seven games of the
2004 Olympics Games (female,
senior teams) were analyzed, which corresponds to 437
attack actions. The
independent variable was the attack zones of the opposite player
(attack on the first line,
zone 2, and second line, zone 1) and the dependents variables
were setting zone and
attacking tempo. In order to test the association between
variables, descriptive and
inferential statistics were used namely the Chi-Square and
Monte Carlo test. For all
the variables, the agreements percentage was above 80%.
The present study showed
that the more solicited setting zone was the ideal
zone, 2/3, (77,5%) and the
more frequent attacking tempo was the second (70%). We
also, verified that
attacking on zone 2, occurs mainly from passes in the ideal setting
zone (2/3), 82,2%.
Concerning the attacking tempo the first tempo occurred less than
expected on the zone 1 and
more than expected on the zone 2; contrarily the third tempo
occurred more than expected
on the zone 1 and less than expected on the zone 2. These
results suggest that the
zone of attack distinguishes the features of attack of the opposite
player and the training
processes should consider these differences to increment the
player performance.
Key Words: Game
Analysis, Volleyball, Setting
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INTRODUÇÃO
É inquestionável o papel que o ataque assume no desenrolar do jogo
e no
rendimento atingido pelas equipas (Ureña, 1998; Grgantov, Dizdar
& Jankovic, 1998;
Marelic, Zufar & Omrcen, 1998; Häyrinen, 2004; Palao, Ureña
& Santos, 2004). No
entanto as situações de ataque, que com a crescente melhoria do
nível de jogo se
mostram essenciais no incremento da imprevisíbilidade das manobras
ofensivas,
nomeadamente o ataque por zona 2 e o ataque de 2.ª linha, ainda
não foram alvo de um
grande número de investigações.
O voleibol moderno tende a produzir um jogo de ataque cada vez
mais rápido,
não apenas no centro da rede, mas igualmente, pelas alas,
diminuindo drasticamente o
tempo 3 de ataque (Dias, 2003; Resende & Moutinho, 2003;
Bellendier, 2003). Tal
facto legitima a necessidade de se realizar pesquisa, capaz de
contribuir para um
conhecimento sistemático do rendimento desportivo nas suas
múltiplas vertentes
(Martín et al, 2003; Maquieira & Fraga, 2003; Beal, 2002;
Mendo 2000).
Ser o principal líder das soluções tácticas da equipa, fazê-lo de
forma criativa e
engenhosa, possuir um bom domínio das habilidades técnicas, em
particular do passe de
dedos em todas as suas vertentes, são comportamentos que o
distribuidor tem que ter em
conta no seu jogo, procurando ajudar os seus colegas enquanto
descobre possíveis
falhas do adversário
(Frohner & Zimmermann, 1996). O distribuidor apresenta-se como
o organizador de jogo e sendo o jogador que merece maior destaque
em publicações
especializadas e sobre o qual incidem maiores preocupações na
selecção e orientação,
podemos mesmo afirmar que este desempenha um papel vital no seio
da equipa
(Herrera et al, 1984; Cardinal et al, 1986; Neville, 1989; Sawula,
1995). Do ponto de
vista da análise da análise histórica, a acção deste jogador tem
estado associada aos
resultados das equipas (Herrera et al, 1984; River &
Pelletier, 1987). Posicionalmente, o
distribuidor ocupa zonas claramente distintas (Moutinho, 2000);
enquanto que na zona
defensiva ocupa a posição 1, na manobra ofensiva situa-se na zona
2; por norma a acção
de distribuição realiza-se na zona 2/3, que é também designada na
zona ideal de
distribuição.
Com base nos pressupostos teóricos enunciados constitui objectivo
deste estudo
caracterizar o ataque do jogador oposto, visto ser um jogador com
papel de relevo nas
manobras ofensivas do Voleibol moderno, tendo por referência a
zona de distribuição, o
tempo e tipo de ataque.
MATERIAIS E
MÉTODOS
CARACTERIZAÇÃO DA
AMOSTRA
A amostra é composta por 7 jogos femininos dos jogos olímpicos de
Atenas
2004, envolvendo as selecções da China (campeã), Rússia (2.ª
classificada), Cuba (3.ª
classificada), Japão (5.ª classificada), Itália (5.ª classificada)
e Alemanha (9.ª
classificada), que totalizaram 437 acções de jogo, dessas, 359 são
respeitantes ao ataque
por zona 2 e 78 referentes ao ataque de 2.ª linha.
4
VARIÁVEIS EM
ANÁLISE
Variáveis Independentes
As variáveis independentes representam as diferentes zonas de
intervenção
espacial do jogador oposto no ataque, a zona 2 situada no espaço
ofensivo e a zona 1
situada no espaço defensivo.
Variáveis Dependentes
Zona ideal de Distribuição
Em relação ao espaço no qual é realizado o passe de ataque (2º
toque da
distribuidora), consideramos, com base no entendimento de
especialistas (Selinger,
1986; Moutinho 2000), que o local ideal para se realizar a
distribuição se situa entre a
zona 2 e a zona 3. Esta zona foi elaborada tendo por base o
campograma de Charles et
al (1995), um rectângulo entre as zonas 2 e 3 (respectivamente
entre os 1,5 m e os 4,5 m
desde a linha lateral – 3 m de comprimento) que possui 1,5m de
largura, contados a
partir de 30 cm da linha central do campo de voleibol.
Análise do Tempo
Para a análise da variável tempo, consideramos os tempos de
ataque, de acordo
com o referido pelos especialistas (Fröhner & Zimmermann,
1996), onde podemos
identificar ataques de 1.º, 2.º e 3.º tempos.
Para o nosso estudo utilizamos a classificação de Selinger (1986),
que distingue
os tempos de ataque através da relação que se estabelece entre o
momento em que o
distribuidor toca na bola e o momento de salto do atacante.
Neste sentido consideramos:
Ataques de 1.º tempo: ataques em que o atacante já
está no ar, no
momento em que o distribuidor toca na bola.
Ataques de 2.º tempo: ataques em que o atacante
salta depois do
distribuidor tocar na bola.
Ataques de 3.º tempo: ataques em que o atacante começa
a sua
corrida de aproximação no momento em que a bola atinge o ponto
mais alto da
sua trajectória.
Tipo de ataque
O critério foi o ataque combinado. Poder-se-á verificar uma acção
ofensiva
combinada (intervenção na manobra ofensiva, com mais de um
jogador, sem contar com
o distribuidor) ou não combinada (caso contrário).
PROCEDIMENTOS
ESTATÍSTICOS
Recorreu-se à estatística descritiva para determinar as
frequências e
percentagens de ocorrência de cada variável. O Qui-quadrado e
Monte Carlo, nos casos
em que mais de 20% das células apresentam valores inferior a 5,
para um valor de
significância de 5%, para determinar o grau de dependência entre
as variáveis;
Coeficiente V de Cramer para determinar o grau de associação.
5
FIABILIDADE DA
OBSERVAÇÃO
Com o objectivo de testar a fiabilidade das observações
verificamos a
percentagem de acordos intra-observador e inter-observador, com o
espaço de 30 dias
para ambos os casos, estabelecida a partir da fórmula de Bellack
(1966) (apud, Van der
Mars, 1989). Os resultados obtidos mostram percentagens de acordos
acima dos limites
mínimos definidos pela literatura. Relativamente ao local de passe
intra-observador e
inter-observador os valores percentuais foram de 95% e 89%
respectivamente; na
análise do tempo de ataque os valores intra-observador foram de
91%, na análise interobservador
os valores situaram-se entre 87%. Os dados da variável tipo de
ataque os
valores intra-observador foram de 92%, na análise inter-observador
os valores foram de
89%
RESULTADOS E
DISCUSSÃO
1. ANÁLISE DO
LOCAL DE PASSE EM FUNÇÃO DA ZONA DE ATAQUE
O Quadro 1 apresenta os resultados das frequências, das
respectivas
percentagens de ocorrência e os resultados de associação entre as
variáveis, local de
passe e a zona de ataque. Podemos verificar que, em termos
absolutos, a maioria dos
ataques (77,5%) do jogador oposto são realizados dentro da zona
ideal de distribuição e
que apenas 22,5% dos ataques se realizam após passe fora dessa
zona. Os ataques de 2.ª
Linha (zona 1) são realizados em maior número após passe dentro da
Zona 2/3
contabilizando 56,4%, em oposição aos 43,6% dos passes que são
realizados fora da
zona óptima de passe. Analisando os ataques de zona 2 verificamos
que 82,2% das
acções desenvolveram-se com passe na zona 2/3, varias vezes
referenciada como a zona
ideal de passe (Selinger, 1986; Moutinho, 2000), e que apenas
17,8% dos passes foram
realizados fora da zona 2/3. Na literatura diversos autores
(Alberda, 1998; Fröhner &
Zimmermann, 1996) referem que a eficácia do ataque está dependente
da qualidade da
recepção ao serviço. Qualidade esta que está associada ao local
onde o passe é
efectuado, o que condiciona as opções do distribuidor no ataque.
A análise estatística mostra que existe uma relação de dependência
(χ2=24,274),
significativa (p=0,000) e uma associação fraca entre as variáveis
(V de Cramer=0,237),
entre o local de passe e a zona de ataque. O oposto no ataque de
2ª linha (Zona 1)
apresenta valores de passe dentro da zona 2/3 abaixo do que seria
de esperar, pelo que
confirma que não raramente estes jogadores são solicitados com
recurso para recepções
mal efectuadas e em más condições de passe.
Por outro lado, o oposto em zona 2 recebe mais bolas dentro da
zona 2/3 do que
seria de esperar. Este facto pode ser explicado pelo ataque
combinado frequentemente
com o atacante central o que exige passes realizados em excelentes
condições. Paulo
(2004) num estudo relativo à selecção portuguesa de voleibol
masculina no campeonato
mundial de 2002 observou resultados de passe na zona ideal de
65,1%, semelhantes aos
encontrados por Fröhner & Zimmermann (1996) nos jogos
olímpicos de Atlanta que se
situaram entre os 60%-65%. Todavia nestes estudos os valores de
distribuição
encontrados não se circunscrevem ao passe para zona 2, o que
limita a comparação com
o presente estudo.
Quadro 1. Tabelas de contingência para os
resultados das acções de 2.ª linha e Zona 2 do jogador oposto em
relação ao local de passe
6
2. ANÁLISE DO TEMPO DE ATAQUE EM FUNÇÃO DA
ZONA DE
ATAQUE
O Quadro 2 apresenta os resultados das frequências e das
respectivas
percentagens de ocorrência para o tempo de ataque tendo em conta a
zona de ataque.
A análise estatística mostra que existe uma relação de dependência
(χ2=36,184),
significativa (p=0,000) e uma associação moderada entre as
variáveis (V de
Cramer=0,290). O oposto no ataque de 2.ª linha apresenta valores
de tempo 3 acima dos
valores que seriam esperados (5,1) o que leva a concluir que o
ataque é frequentemente
alvo de bolas altas e, consequentemente, lentas, fruto de bolas de
recurso. O ataque do
oposto pela 2.ª Linha mostra uma ausência de bolas de tempo 1,
sendo que, a maior
percentagem de ataques foi realizada no tempo 2, com 65,4%,
procurando-se deste
modo acelerar o jogo. Em tempo 3, aparecem 34,6% dos ataques.
Por outro lado a zona 2 é alvo de mais bolas de tempo 1 (4,0) do
que as
esperadas e menos (5,1) de tempo 3. Um claro indicador da
velocidade do jogo e do
ataque desta zona, na tentativa de ultrapassar o bloco adversário.
Enquanto que na zona
2 está patente a tendência encontrada por Bellendier (2003) no
campeonato mundial de
2002, onde, segundo este autor, o tipo de jogo ofensivo foi
caracterizado pela rapidez de
acções, o mesmo não se pode dizer sobre as acções de 2.ª linha. Na
zona 2 é notória a
presença do tempo 2 com 71% das acções, seguido do tempo 1 com
17,6% e, por fim,
do tempo 3 com apenas 11,4%. Estes valores reflectem a preocupação
de se jogar com
bastante rapidez pela zona 2, sendo pouco frequentes as situações
de bola lenta nesta
zona.
No estudo apresentado por Fröhner (1997), o autor descreve o tempo
1 de ataque
como característica das equipas de alto nível apresentando valores
de 25%, enquanto
que Sousa (2000) num estudo com as três melhores equipas da Liga
Mundial de 1999
apresenta valores na ordem dos 30%. Paulo (2004) apresenta valores
de tempo 1 de
29,2%, de tempo 2 de 49,1% e de tempo 3 de 21,8% num estudo
relativo à selecção
nacional de voleibol portuguesa no campeonato do mundo de 2002. A
escassa presença
do tempo 3 é um indicador das equipas masculinas de alto nível que
também se
apresenta patente no nosso estudo para o alto nível feminino.
Quadro 2. Tabelas de contingência para os
resultados das acções de 2.ª linha e Zona 2 do jogador oposto em
relação ao tempo de ataque
7
3. ANÁLISE DO TIPO DE ATAQUE EM FUNÇÃO DA
ZONA DE
ATAQUE
O Quadro 3 apresenta os resultados das frequências e das
respectivas
percentagens de ocorrência para o tipo de ataque tendo em conta a
zona de ataque.
A análise estatística mostra que existe uma relação de dependência
(χ2=17,383)
significativa (p=0,000) e uma associação fraca entre as variáveis
(V de Cramer=0,201).
Analisando a 2.ª Linha verificamos que a maioria das acções de
ataque são não
combinadas com 67,9% sendo apenas 32,1% combinadas. O jogador
oposto de 2.ª
Linha recebe menos passes combinados do que seria esperado (-4,2).
Estes resultados
demonstram que a 2.ª Linha é utilizada, de uma maneira geral, de
forma denunciada
sem o envolvimento de outros jogadores, tornando este tipo de
ataque mais vulnerável à
defesa adversária; tal reforça a ideia de que, no feminino, a 2.ª
Linha ainda não é
explorada na sua total plenitude nos movimentos ofensivos das
equipas. Relativamente
à zona 2 podemos verificar que 58,1% das acções são combinadas
contra 41,9% de
acções não combinadas. Estes números revelam a tendência do ataque
do oposto nesta
zona ser variado no sentido de iludir, os blocos adversários
utilizando-se combinações
na maioria das vezes entre o oposto e o central.
Quadro 3. Tabelas de contingência para os
resultados das acções de 2.ª linha e Zona 2 do jogador oposto em
relação ao tipo de ataque
Não
8
CONCLUSÕES
Fica bem patente no nosso estudo que o jogador oposto de 2.ª linha
realiza
ataques resultantes de passes realizados fora da zona ideal de
distribuição abaixo do que
seria de esperar, pelo que confirma que muitas vezes estes
jogadores são solicitados
com recurso para recepções mal efectuadas e más condições de passe.
Contrariamente
na zona 2 atacam bolas oriundas de passes realizados na zona ideal
de distribuição em
maior quantidade do que seria de esperar. Esta constatação deve-se
ao facto destes
jogadores, nesta zona, jogarem frequentemente em combinação, com o
central, e
atacarem bolas rápidas em maior número.
O oposto de 2.ª linha apresenta valores de tempo 3 acima dos
valores que seriam
esperados o que, mais uma vez confirma que a 2.ª Linha é, não
raramente, alvo de bolas
altas e lentas, fruto de distribuições ofensivas de recurso. Neste
sentido o presente
estudo demonstra que a 2.ª Linha, no voleibol de elite feminino, é
utilizada, de uma
maneira geral, de forma denunciada sem o envolvimento de outros
jogadores, tornando
o ataque mais vulnerável à defesa adversária, não sendo esta zona
de ataque explorada
na sua total plenitude. No que se refere ao ataque combinado
verificamos que o oposto
na 2.ª Linha recebe menos passes combinados do que seria esperado,
contrariamente à
zona 2 onde se verifica um ataque mais combinado, prioritariamente
entre o oposto e o
central.
O presente estudo sugere a necessidade de optimizar o ataque de 2ª
linha no
Voleibol feminino, já que constitui uma opção de ataque crucial
para aumentar as
dificuldades do bloco adversário. Todavia, é prioritário salientar
que as equipas
femininas em estudo apesar de serem selecções nacionais não
constituem as equipas de
top mundial, o que sugere que, possivelmente, no mais alto nível
de rendimento o
ataque de 2ª linha pode assumir características mais ofensivas. A
realização de estudos
com equipas de top mundial poderia contribuir para uma
caracterização mais segura do
ataque do jogador oposto.
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